Bastaram apenas dez meses para que a primeira chamada à Seleção Nacional se tornasse uma realidade para Vítor. Da Distrital à época de estreia nos Sub-19 do SC Braga, o avançado é cada vez mais uma certeza nas opções de José Carvalho Araújo e tem revelado uma veia goleadora que fazem dele o segundo melhor marcador dos arsenalistas e da Fase Final do Campeonato Nacional em 2017/2018. O talento e a maneira como se tem destacado na sua posição não passaram despercebidos a Filipe Ramos, que esta quarta-feira convocou o atleta bracarense para o estágio de preparação dos Sub-18 de Portugal.

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O processo foi tão rápido quanto, segundo o próprio, merecido. Muito por culpa da boa adaptação ao emblema minhoto, que foi proporcionando uma evolução constante ao longo da temporada. “Sempre pensei que seria complicado integrar-me no grupo, mas correu tudo muito bem e a partir do meio da época comecei a acreditar que poderia ser chamado à seleção. Felizmente tive a minha oportunidade”, realçou, num dia que “mudou completamente” após uma notícia que encara como um “reconhecimento” e “um prémio justo”.

Depois de divulgada a convocatória, começaram a surgir as muitas felicitações para aquele que já é visto como um motivo de “orgulho” em Cabeceiras de Basto: “Como venho de um meio pequeno há muita união, é ótimo sentir que somos um orgulho para tanta gente”. E foi na pacata vila do distrito de Braga que ser jogador de futebol – algo em que nunca pensou até aos seis anos de idade – começou a ser uma séria opção.

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Face à inexistência de outros clubes desportivos na zona, aos oito anos Vítor treinava com o irmão nos seniores do GD Cavez, tendo rumado de seguida à recém-criada Associação Cultural e Desportiva Águias de Alvite, onde permaneceu durante cinco temporadas. Aí começou a lateral, mas logo a apetência para o golo falou mais alto. “Começaram a dizer que eu era bom a finalizar e pedi ao treinador para ser ponta de lança”, contou o jovem de 18 anos, que esteve perto de abandonar a modalidade quando o irmão deixou de o poder transportar até ao local de treino.

O sonho não só resistiu como foi crescendo dia após dia, culminado com a nova realidade vivida no SC Braga. O ritmo e a exigência são agora muito maiores, mas é nos Sub-19 arsenalistas que Vítor se afirma sentir “cada vez melhor”. “No início tive algumas dificuldades porque a intensidade de treino e de jogo é completamente diferente… Foi uma mudança muito grande, de dois treinos por semana para cinco/seis, e acabei por me sentir muito cansado na pré-época e início da época, mas ao fim do segundo mês já estava adaptado. Vir para o SC Braga foi um salto muito grande, mas consegui dá-lo e estou muito feliz”, rematou.

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Mais importante do que a oportunidade surgida foi – garante – saber agarrá-la, e num curto espaço de tempo, a verdade é que as expectativas foram totalmente superadas.

Movido pela constante procura pelo golo, Vítor registou uma série de cinco jogos consecutivos a ‘faturar’ na Fase Final e está a apenas três tentos dos quinze que estabeleceu como objetivo no início da temporada, dando voz à determinação em manter os bons apontamentos nos dois dias de trabalho que terá pela frente na Equipa das Quinas para alimentar uma chamada que espera “a primeira de muitas”.

Na Cidade Desportiva as promessas de “trabalho e esforço” mantêm-se; ainda assim, com os pés sempre bem assentes no chão…

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“Sempre me deram as melhores condições desde que cá cheguei. Treinar numa infraestrutura nova, com campos fantásticos, com tudo à nossa disposição… É preciso ter muita cabeça, caso contrário começamos a pensar que somos alguém e não o somos. Acho que se trabalharmos todos os dias e nos esforçarmos ao máximo, dando tudo de nós, mais tarde iremos ser recompensados. E até ao momento estou a ser recompensado”, completou o mais recente representante Gverreiro ao serviço da armada lusa.