Há nomes que ficam ligados para sempre às noites europeias do SC Braga. Matheus é um deles. Na antecâmara do duelo entre o SC Braga e o Betis, o antigo avançado brasileiro recua no tempo e revisita alguns dos capítulos mais marcantes de uma passagem que ajudou a escrever uma das páginas douradas da história do Clube.

Entre 2005 e 2010, Matheus vestiu de arsenalista em 120 ocasiões e apontou 21 golos, números que ajudam a contar apenas parte do impacto que teve numa geração que elevou o SC Braga a outro patamar competitivo. Pelo meio, uma final europeia, noites memoráveis e golos decisivos que ainda hoje permanecem vivos na memória dos adeptos.

Mais de uma década depois, o vínculo emocional mantém-se intacto. “A minha passagem pelo SC Braga foi uma etapa muito especial da minha carreira. Tenho muitas saudades do Clube, da cidade e ainda hoje mantenho contacto com muitas pessoas que trabalharam comigo. Há pouco tempo estive em Portugal e fiz questão de visitar o museu para reviver esses momentos. São coisas que ficam para sempre.”

Quando se fala daquela equipa, é inevitável recordar a caminhada até Dublin e à final da Liga Europa de 2010/11, frente ao FC Porto. Uma campanha que, para Matheus, mudou muito mais do que apenas a dimensão europeia do Clube. “Foi uma época fantástica. Representou uma mudança de mentalidade na minha vida e na minha carreira. Mudou muita coisa na forma como passei a encarar o futebol, o ritmo competitivo, a exigência, tudo. E também porque poucos acreditavam em nós naquele momento… mas nós acreditávamos. E isso fez toda a diferença.”

Antes da final europeia, houve outra eliminatória que ajudou a moldar a identidade competitiva daquele grupo: o playoff de acesso à Liga dos Campeões frente ao Sevilha. Depois do triunfo por 1-0 em Braga, os Gverreiros venceram por 4-3 em solo espanhol, com Matheus a deixar a sua marca nos dois encontros.

“Foram jogos muito especiais para mim. A equipa vinha de um momento muito positivo, depois do segundo lugar conquistado no campeonato na época anterior, e acreditávamos verdadeiramente que era possível. Todos queríamos jogar na Liga dos Campeões. Felizmente consegui ajudar a equipa, primeiro em casa com um golo importante e depois em Sevilha, onde entrámos muito bem e conseguimos colocar-nos cedo em vantagem.”

Mas mais do que qualidade, talento ou estratégia, Matheus aponta à mentalidade como o verdadeiro segredo desse grupo. “Tínhamos jogadores experientes, habituados a grandes momentos. E havia uma crença muito forte dentro do grupo. Não era conversa de balneário, era real. Entrávamos em campo verdadeiramente convencidos de que era possível.”

Hoje, com o SC Braga prestes a voltar a medir forças com um emblema andaluz, o antigo avançado deixa uma mensagem simples sobre o caminho para repetir noites felizes frente a equipas espanholas. “Acima de tudo, a equipa tem de acreditar. Mas acreditar mesmo. No futebol fala-se muito do coletivo, mas tudo começa no individual. Se cada jogador fizer bem o seu papel e estiver disponível para ajudar o colega, o coletivo aparece naturalmente. É isso que o SC Braga precisa de fazer.”

Longe dos relvados, mas nunca distante emocionalmente, Matheus continua atento ao presente arsenalista. “Sigo sempre. Vejo jogos sempre que posso. Hoje estou mais na posição de adepto, mas continuo muito ligado ao Clube. Gosto das ideias do treinador, da forma como a equipa joga, e esta temporada está a fazer uma campanha europeia fantástica. Espero sinceramente que continuem assim, porque ver o SC Braga novamente perto dos momentos decisivos de uma competição europeia é motivo de orgulho para todos.”

Quem regressa a Braga encontra hoje um Clube diferente daquele que conheceu enquanto jogador. Maior, mais robusto, mais preparado. “O SC Braga é hoje um Clube muito grande e essa afirmação começou há muitos anos. Tem sido muito consistente e cresceu de forma impressionante. Quando regressei e vi toda a estrutura do Clube, fiquei surpreendido pela positiva. No nosso tempo tínhamos condições mais limitadas. Hoje vê-se um Clube muito mais preparado, muito mais forte. O crescimento é enorme”, conclui.