A rubrica “Planeta Braga” surge na sequência dos desenvolvimentos da atualidade, é uma forma de combater o isolamento social que fechou milhares de pessoas em casa. A pandemia covid-19 é uma doença sem rosto que não escolhe estratos, idades nem profissões.
No desporto, como em qualquer outra área, os estragos são visíveis… competições adiadas, estádios vazios e vidas em suspenso. Um mal necessário, para o bem de todos. Nesse sentido, o SC Braga tendo consciência das prioridades e porque a vida não pode parar – “arregaça as mangas”. Tentamos perceber através de video chamada, como é que os nossos atletas estão a viver este momento e quais as implicações desta pandemia.
A primeira convidada é já uma referência do atletismo, Mariana Machado. Quisemos saber como é que uma atleta de alta competição, habituada a treinar duas vezes por dia, se tem adaptado a esta nova realidade, em que o exercício físico é limitado:
“Os treinos todos os dias continuam, temos é que nos adaptar devido às limitações que nos colocam, mas temos de ser criativos e conseguir contornar esta situação. Claro que os treinos têm de ser modificados porque temos de evitar ao máximo o tempo que passamos no exterior, mas com algum sacrifício tenho conseguido. Felizmente, a minha disciplina permite-me que saia de casa a correr e volte também para casa a correr, tentando ficar o menor tempo possível na rua. Treino nas redondezas da minha casa, completamente sozinha e evito ao máximo o contacto com as pessoas; o resto do treino tem de ser feito em casa, claro que as condições não são as mesmas que tenho numa pista de atletismo, mas tenho que me adaptar. Durante a tarde, tenho uma passadeira e uma bicicleta estática e isso também me facilita o meu treino. Houve uma condição para atletas de alta competição que nos permite sair, mas claro que evito ao máximo sair, por isso, corro no máximo 50/60 min fora de casa.”
“Sou uma pessoa muita ativa, estou sempre a correr, literalmente, de um lado para o outro, foi uma grande mudança estar assim sempre restringida ao espaço da minha casa e não ter essa liberdade de contactar com outras pessoas, com os meus amigos e com os meus colegas de treino. A nível desportivo, não ter a presença da minha treinadora e do meu grupo a motivarem-me faz muita diferença, mas temos de nos adaptar…por exemplo, às vezes, usamos garrafões de água de 5L para treinar.”
“O aspeto psicológico também é importante, tento manter-me ocupada; tenho aproveitado para adiantar alguns trabalhos da universidade, aproveito também para cozinhar que é algo que eu adoro fazer, experimentar novas receitas e como, no meu dia-a-dia, não tenho muito tempo, aproveito esta altura para fazer isso. Aproveito para passar mais tempo com a minha família, muitas vezes até fazemos o treino todos juntos em casa.”
“Os impactos vão ser grandes, a maior competição desportiva internacional foi adiada para 2021. Os Jogos Olímpicos eram, sem dúvida, um objetivo: tentar a qualificação. Parece que vai ser um sonho que vai ser adiado mais um ano, mas não é por isso que vou deixar de lutar por ele e vou continuar a trabalhar. Temos também o campeonato europeu de seniores que ainda permanece incerto quanto à sua realização, nos campeonatos nacionais também ainda não há qualquer decisão por parte da federação portuguesa de atletismo, mas acredito que serão adiados devido à falta de condições. Reunir um grupo de atletas nestas circunstâncias, pondo em causa a saúde não me parece viável. Relativamente às provas que íamos ter nos próximos tempos, principalmente, provas de preparação, que foram adiadas, há uma incerteza a pairar, mas nós não podemos deixar de treinar e temos de continuar a trabalhar.”
“Para eu gerir a minha época vou precisar de informação para definir o meu futuro nas próximas competições; enquanto não houver comunicação, os atletas estão limitados, mas eu acredito que o mais importante é tratar da saúde das pessoas, por isso, temos de ser pacientes e esperar que as identidades competentes nos forneçam, com a mais brevidade possível, essas informações.”
“Já falei com alguns colegas estrangeiros, os espanhóis, por exemplo, estão a passar muito mal, estão completamente proibidos de sair de casa, muitos deles não têm nem uma passadeira, nem uma bicicleta ou elíptica para conseguirem continuar a treinar e está a ser muito difícil para eles. Alguns conseguiram patrocínios de ginásios e outras entidades como câmaras, que lhes ofereceram ou emprestaram material. Outros atletas não tiveram tanta sorte, por isso, concordo com o adiamento dos Jogos Olímpicos, porque estão em desvantagem. Tenho uma colega holandesa que me contou que alguns colegas dela decidiram “fugir” para Portugal porque achavam que a situação cá estava melhor e acabaram por ir para um estágio no Algarve. “
“Gostava de reforçar a mensagem, que tem vindo a ser passada pelas autoridades: mantenham-se isolados, esta é uma luta que temos de vencer juntos, é importante respeitarmos as normas que têm sido impostas para juntos acabarmos com a pandemia, por isso, força e vamos acreditar.”



